A maior parte da dor no joelho de quem corre ou sobe escada vem de sobrecarga na articulação entre a patela e o fêmur, e não de desgaste. Repouso total raramente resolve; o que tem mais evidência é exercício de fortalecimento de quadril e coxa com ajuste da carga de treino. Ressonância nem sempre explica a dor, e correr, em quem não tem lesão, não está associado a mais artrose.
Dor no joelho é uma das queixas mais comuns de quem corre, e também de quem nunca correu e sente o joelho na escada, ao agachar ou depois de muito tempo sentado. Em volta dela circula muita informação atravessada. Vale separar o que é verdade do que é mito, porque a crença errada costuma levar ao tratamento errado.
Mito: dor no joelho é sempre desgaste
Em adultos jovens e de meia-idade que correm, a causa mais frequente é a dor femoropatelar, ligada à sobrecarga da articulação entre a patela e o fêmur. Ela aparece na escada, ao agachar, depois de ficar sentado com o joelho dobrado e nas descidas. Não é desgaste, e costuma responder bem a tratamento sem procedimento.
Verdade: fortalecer quadril e coxa ajuda
O consenso internacional sobre dor femoropatelar coloca o exercício como a base do tratamento, com a combinação de fortalecimento de quadril e de coxa à frente das outras opções. O resultado aparece em semanas, não em dias, e depende de fazer o exercício com regularidade.
Mito: repouso total resolve
O repouso alivia enquanto dura. Quando a atividade volta, a dor costuma voltar junto, porque a capacidade do joelho de receber carga não mudou. O caminho mais comum é reduzir o que piora (volume, subida, velocidade) sem parar de se mexer, e aumentar aos poucos.
Mito: a ressonância sempre mostra o culpado
Exames de imagem mostram alterações em muita gente que não sente dor nenhuma, como pequenas lesões de menisco e sinais de desgaste de cartilagem. Por isso o exame não substitui a conversa e o exame físico, e às vezes nem é necessário. Quando a imagem é pedida, ela serve para responder uma pergunta que a consulta levantou.
Mito: correr estraga o joelho
Uma revisão sistemática de estudos com corredores não encontrou mais artrose de quadril e joelho em corredores recreativos do que em sedentários. O que pesa é a forma de treinar: aumentos bruscos de volume, pouca recuperação e lesão antiga mal reabilitada.
Verdade: o joelho às vezes sofre pelo que acontece em outro lugar
Fraqueza do quadril, pouca mobilidade do tornozelo e o jeito de pisar mudam a carga que chega ao joelho. Dor do quadril também pode ser sentida no joelho. É por isso que a avaliação olha a perna inteira, e não só o ponto que dói. Mais detalhes sobre causas e sinais estão na página sobre dor no joelho.
Se a dor já dura semanas, volta sempre que o treino aumenta ou está atrapalhando o dia a dia, vale uma avaliação com médico do esporte em Balsas, com exame do joelho, do quadril e da forma de se mover.
O que a evidência ainda não resolve
Ainda não se sabe prever quem vai responder mais a cada tipo de exercício, nem qual é a dose ideal de fortalecimento para cada pessoa. Palmilhas e bandagens podem aliviar no curto prazo em alguns casos, mas os estudos são menos consistentes do que os de exercício.
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