O que é condropatia e o que é condromalácia patelar
Condropatia é qualquer alteração da cartilagem articular, o tecido liso que reveste as extremidades dos ossos e permite que a articulação deslize sem atrito. No joelho, a forma mais frequente é a condromalácia patelar: o amolecimento, a fissura e, em graus avançados, o desgaste da cartilagem da face posterior da patela, que se articula com o sulco do fêmur. Condropatias também podem afetar os côndilos do fêmur e o platô da tíbia, e, em estágios mais avançados e difusos, fazem parte do quadro de osteoartrite.
Sintomas
- Dor atrás ou ao redor da patela ao agachar, ajoelhar, subir e principalmente descer escadas.
- Dor após ficar muito tempo sentado com o joelho dobrado (cinema, viagens, escritório).
- Crepitação, uma sensação de areia ou ruído ao dobrar e esticar o joelho, às vezes com dor.
- Sensação de fraqueza ou de que o joelho "vai falhar" ao descer degraus.
- Inchaço discreto após atividades com muito agachamento ou impacto.
Graus da condromalácia patelar
A classificação mais usada (Outerbridge) descreve o estado da cartilagem visto na ressonância ou na artroscopia. É útil para orientar expectativas, mas o grau nem sempre corresponde à intensidade da dor.
| Grau | O que acontece na cartilagem | Implicação prática |
|---|---|---|
| I | Amolecimento e edema, superfície ainda íntegra | Excelente resposta à reabilitação e ao ajuste de carga |
| II | Fissuras superficiais, com menos da metade da espessura | Boa resposta; foco em fortalecimento e controle de carga |
| III | Fissuras profundas, mais da metade da espessura, sem expor o osso | Reabilitação segue sendo a base; progressão mais lenta |
| IV | Perda total da cartilagem, com exposição do osso | Manejo como osteoartrite: função, força e controle de peso; conduta cirúrgica discutida caso a caso |
Causas e fatores de risco
- Sobrecarga repetitiva sobre a patela: agachamentos profundos com carga, saltos, corrida em descida, aumento rápido de volume.
- Desequilíbrio muscular, com fraqueza de quadril e dos estabilizadores da patela, que altera o trajeto dela no sulco do fêmur.
- Alterações de alinhamento (patela alta, joelho valgo) e história de luxação ou trauma direto na patela.
- Excesso de peso, que aumenta a pressão sobre a cartilagem em cada agachamento e degrau.
- Sedentarismo prolongado seguido de retorno abrupto ao treino.
Diagnóstico
O diagnóstico começa pela história e pelo exame físico dirigido, com testes de compressão da patela, avaliação do trajeto patelar no agachamento e medida de força de quadril e coxa. A ressonância magnética confirma o grau da alteração da cartilagem quando isso muda a conduta ou quando há suspeita de outra lesão. Vale lembrar: muitas pessoas sem dor têm condromalácia na ressonância, por isso o achado é sempre interpretado junto com o quadro clínico.
Condromalácia × dor femoropatelar × tendinopatia patelar
| Característica | Condromalácia patelar | Dor femoropatelar | Tendinopatia patelar |
|---|---|---|---|
| O que é | Alteração estrutural da cartilagem da patela | Síndrome de dor, sem lesão estrutural obrigatória | Sobrecarga do tendão abaixo da patela |
| Local da dor | Atrás da patela, com crepitação | Ao redor da patela, difusa | Ponto bem localizado no polo inferior da patela |
| Como se confirma | Ressonância ou artroscopia | Clínico (exame físico) | Clínico; ultrassom quando necessário |
| Base do tratamento | Fortalecimento, ajuste de carga, controle de peso | Fortalecimento de quadril e coxa, ajuste de carga | Carga progressiva no tendão |
Tratamento
A cartilagem se nutre pelo movimento e tolera bem carga progressiva; o que a agride é a carga excessiva e repetida sem preparo muscular. Por isso o tratamento da condromalácia é ativo: fortalecimento de quadril (abdutores e rotadores externos), do quadríceps e da cadeia posterior, com seleção de exercícios e amplitudes que não reproduzam a dor no início, progredindo conforme a resposta. Junto entram o ajuste do treino (reduzir temporariamente descidas, saltos e agachamentos profundos com carga), o controle do peso corporal e a atenção ao sono e à recuperação. Pontos de tensão no quadríceps e na banda iliotibial podem ser tratados com agulhamento a seco como recurso coadjuvante.
Repouso absoluto e imobilização tendem a piorar a condromalácia a médio prazo, porque enfraquecem a musculatura que protege a patela. Carga bem dosada é tratamento; carga zero não é.
Nos graus avançados, com desgaste extenso, o manejo segue os princípios da osteoartrite: manter força, mobilidade e atividade física com a menor dor possível. Procedimentos e opções cirúrgicas, quando existem, são discutidos caso a caso, após tratamento conservador bem conduzido.
Tempo de melhora e retorno ao esporte
A redução da dor costuma aparecer nas primeiras semanas de programa; o ganho de força que sustenta o resultado leva alguns meses. O retorno ao esporte é progressivo, com critérios objetivos: agachar e descer escadas sem dor, força simétrica entre os lados e ausência de dor no dia seguinte ao treino.
Quando procurar avaliação em Balsas
Se você tem dor atrás da patela com crepitação, dificuldade para agachar ou descer escadas, ou já recebeu o diagnóstico de condromalácia e não sabe como treinar, agende uma avaliação com o Dr. Alexandre Monteiro na Gran Medical Balsas. Veja também o guia geral sobre dor no joelho.
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